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UE quer ampliar presença no Ártico diante de Rússia e Trump

Reunidos na Finlândia, líderes de 12 países europeus defenderam maior atuação do bloco na região. Grupo cita ameaça russa, novas rotas marítimas e pressões dos EUA sobre a Groenlândia

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
UE quer ampliar presença no Ártico diante de Rússia e Trump
O degelo acelerado e a disputa por rotas marítimas e recursos naturais levaram líderes europeus a defender uma atuação mais estratégica da UE no Ártico/Foto: Jouni Porsanger/Lehtikuva/IMAGO
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Doze países europeus reunidos nesta segunda-feira (14/09) na Finlândia defenderam que a União Europeia (UE) amplie sua atuação no Ártico, região cuja importância geopolítica cresce em meio às disputas envolvendo a Rússia e às pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia.

Em declaração conjunta divulgada após uma cúpula em Rovaniemi, os líderes pediram que o bloco assuma maior presença na região. "Conclamamos a União Europeia a desempenhar um papel mais estratégico e proativo no Ártico europeu", afirmaram os participantes do encontro, que reuniu representantes de países como Dinamarca, França, Alemanha, Grécia e Suécia.

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que o bloco precisa reforçar sua capacidade de navegação em águas geladas. Ela citou a necessidade de navios quebra-gelos, mas não especificou se defende uma aquisição conjunta ou o fortalecimento das capacidades nacionais dos Estados-membros.

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"Diante da situação atual, das mudanças climáticas e da abertura de novas rotas marítimas, precisamos de quebra-gelos ou de embarcações capazes de operar nessas condições muito difíceis", declarou.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já havia sugerido que parte do aumento dos gastos europeus com defesa pudesse ser destinada à criação de uma capacidade europeia de quebra-gelos, além de outros equipamentos considerados essenciais para a segurança do Ártico.

O interesse pela região aumentou significativamente desde a adoção, em 2021, da atual estratégia europeia para o Ártico.

As repetidas ameaças de Trump de colocar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, sob controle dos Estados Unidos provocaram uma crise diplomática entre Washington e aliados europeus. Embora o tom do presidente americano tenha se moderado nos últimos meses, os países da UE seguem determinados a ampliar sua presença na região.

Rússia no centro das preocupações

Na declaração final, os participantes destacaram "a significativa e duradoura ameaça representada pela Rússia". Segundo o texto, as ambições de Moscou de expandir sua influência no Ártico e sua "hostilidade em relação à Europa, incluindo o aumento de atividades híbridas", reforçam a necessidade de fortalecer a política europeia para a região.

Entre os presentes estavam o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, Kallas, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de líderes de países como Romênia e Grécia.

Nenhuma decisão formal foi tomada durante a cúpula. Ainda assim, o encontro ocorre às vésperas da apresentação de uma nova estratégia da Comissão Europeia para o Ártico, prevista para as próximas semanas e destinada a orientar a atuação do bloco nos próximos anos.

Degelo amplia disputa por rotas e recursos

O Ártico se aquece quase quatro vezes mais rapidamente do que a média global em consequência das mudanças climáticas, segundo especialistas, com impactos profundos sobre o meio ambiente e os meios de subsistência das populações locais.

À medida que o gelo marinho recua, países como Rússia, China e Estados Unidos ampliam suas atividades na região em busca de recursos naturais e de novas rotas de navegação.

Em agosto, China e Coreia do Sul enviaram navios porta-contêineres para testar a viabilidade da Rota do Mar do Norte, em águas russas, aproveitando períodos cada vez mais longos sem gelo.

No início deste ano, Trump insistiu que os Estados Unidos precisavam controlar a Groenlândia por razões de segurança nacional, embora tenha descartado uma anexação pela força.

Pouco depois, em um movimento visto como resposta às preocupações americanas, a Otan lançou uma nova missão para reforçar a segurança no Ártico.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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