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Crise de moradia leva Sánchez a antecipar eleição na Espanha

Pressionado pela crise habitacional e por derrotas no Congresso, premiê espanhol convoca eleição para 29 de novembro. Custo da moradia domina disputa contra a direita

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Crise de moradia leva Sánchez a antecipar eleição na Espanha
Partidos de direita da oposição derrubaram propostas de Pedro Sánchez para reduzir a especulação imobiliária/Foto: Javier Soriano/AFP
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O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou nesta segunda-feira (05/10) eleições gerais antecipadas, depois da derrota legislativa sofrida na semana passada sobre medidas emergenciais relacionadas à crise habitacional do país. O pleito será realizado em 29 de novembro.

Nas últimas semanas, os espanhóis cobraram soluções do governo para a questão da moradia acessível, promovendo protestos em cidades de todo o país após a indignação pública provocada pelo despejo de uma mulher de 87 anos em Madri, no mês passado.

O despejo de Maricarmen Abascal tornou-se um símbolo da indignação com o aumento acelerado dos custos habitacionais. A aposentada foi obrigada a deixar o apartamento onde viveu por mais de sete décadas depois que o imóvel foi adquirido por uma empresa de investimentos que pretendia elevar seu aluguel em 275%.

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Os preços elevados e a dificuldade em conseguir moradia figuram há anos entre as principais preocupações dos espanhóis. O preço médio dos aluguéis na Espanha quase dobrou na última década, segundo o portal imobiliário Idealista.

Partidos de direita da oposição uniram forças para derrubar os dois decretos de emergência apresentados pelo governo Sánchez, que incluíam medidas para reduzir despejos e a especulação imobiliária. A derrota no Congresso foi o mais recente revés político para o premiê socialista, um dos poucos chefes de governo de esquerda ainda no poder na Europa.

"Para fazer mais, precisamos renovar e ampliar o apoio da população", afirmou Sánchez em pronunciamento televisionado. Segundo ele, o objetivo é "garantir uma maioria progressista muito mais ampla no Parlamento". "Chegou o momento, portanto, de o povo espanhol decidir qual futuro deseja para si e para seu país", afirmou.

"Se desejam se juntar a essa onda de extrema direita, que faz retroceder avanços onde quer que governe, ou se querem que a Espanha continue sendo um bastião de abertura, justiça social e responsabilidade ambiental. Se querem que nosso país retroceda ou continue avançando", afirmou.

Pressão sobre governo

Sánchez, de 54 anos, ocupa o cargo de primeiro-ministro da Espanha desde 2018, o que faz dele um dos líderes mais longevos da Europa. Com a defesa de pautas como migração, apoio aos palestinos e críticas à guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, ele se tornou um dos principais chefes de governo progressistas do cenário internacional.

Em seu pronunciamento, Sánchez defendeu o histórico de seu governo, destacando que, sob sua liderança, a economia espanhola cresceu mais rapidamente do que em outros países europeus, e o desemprego recuou. Mas, após oito anos no poder, ele também enfrenta pressão devido a escândalos de corrupção envolvendo pessoas próximas, incluindo sua mulher e dirigentes de destaque do Partido Socialista.

Sánchez também vem sendo alvo de críticas pela condução da crise em Ceuta, território espanhol no norte da África, que foi invadido por milhares de migrantes marroquinos entraram no fim de julho. A situação na fronteira terrestre entre a Europa e a África se deteriorou gradualmente, e muitos migrantes continuam vivendo em acampamentos improvisados.

Muitos espanhóis não têm sentido os benefícios do forte crescimento econômico do país, pois a inflação avança mais rapidamente do que os salários e os gastos com aluguel ocupam uma parcela cada vez maior da renda das famílias.

Seu partido confia no debate sobre o custo da moradia para ampliar sua presença no Congresso, enquanto o Partido Popular, principal sigla da oposição e que já detém o maior número de cadeiras no Parlamento, deverá centrar a disputa nas acusações de corrupção e na gestão do governo durante a crise de Ceuta.

O líder socialista enfrentará o presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, que pretende assumir o controle do governo. "Finalmente, o povo espanhol decidirá", disse Feijóo nesta segunda após o anúncio da eleição antecipada. "Não são eleições como as anteriores em nossa democracia. Trata-se de a Espanha derrotar Sánchez e aquilo que ele representa", afirmou.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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