Desde a última sexta-feira, os moradores de um grande condomínio em São Bernardo do Campo, com mais de 300 apartamentos, enfrentam uma situação crítica: a água das torneiras está imprópria para consumo. Apesar dos relatos de possíveis contaminações e da preocupação generalizada, a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) não realizou análises adequadas da água e, em vez disso, orientou a limpeza das caixas d’água do condomínio, sem garantir a qualidade do abastecimento. O problema afeta milhares de pessoas, gerando insegurança e transtornos no dia a dia.
O Início do Problema
Os primeiros relatos de água com cor, odor ou gosto estranho surgiram na sexta-feira (18/abril). Alguns moradores relataram sintomas como náuseas, diarreia e irritação na pele após o uso da água, levantando suspeitas de contaminação por bactérias, produtos químicos ou partículas sedimentares.
Diante das reclamações, a administração do condomínio acionou a SABESP, esperando uma análise técnica detalhada da água. No entanto, a resposta da companhia foi considerada insuficiente pelos moradores: em vez de coletar amostras para exames laboratoriais, a SABESP apenas recomendou a lavagem de todas as caixas d’água do condomínio.
A principal crítica dos moradores é a ausência de uma avaliação oficial da qualidade da água. Em situações como essa, é essencial que a concessionária realize testes para identificar a presença de coliformes fecais, metais pesados, cloro residual ou outros contaminantes. A limpeza das caixas d’água, embora necessária, não resolve o problema se a origem da contaminação estiver na rede de distribuição.
A SABESP, por sua vez, alega que a responsabilidade pela manutenção das caixas d’água é do condomínio, mas especialistas em saneamento afirmam que a empresa tem obrigação de fiscalizar a água que fornece até o ponto de entrega (o cavalete, geralmente na entrada do prédio). A falta de transparência na investigação aumenta a desconfiança dos moradores, que se veem obrigados a comprar água mineral para consumo e higiene.
Com mais de 300 unidades habitacionais, o condomínio abriga centenas de famílias que dependem da água para atividades básicas. Além do custo extra com água engarrafada, os moradores enfrentam dificuldades para cozinhar, tomar banho e até mesmo lavar roupas. Idosos, crianças e pessoas com saúde frágil são os mais afetados, já que estão mais suscetíveis a doenças transmitidas por água contaminada.
Alguns residentes relataram à reportagem que precisaram faltar ao trabalho para resolver o problema, enquanto outros buscaram ajuda médica devido a possíveis intoxicações. A administração do condomínio está sob pressão, mas afirma que depende da SABESP para normalizar o abastecimento.
Reclamações e Busca por Soluções
Moradores já registraram queixas no Procon, na Agência Reguladora de Saneamento (ARSESP) e no Ministério Público, exigindo uma posição oficial da SABESP. Algumas medidas emergenciais, como a contratação de caminhões-pipa, foram consideradas, mas a solução definitiva só virá com uma análise adequada da água e a identificação da causa da contaminação.
Enquanto isso, a recomendação é evitar o consumo da água da torneira e ferver ou filtrar a água antes de usar, mesmo para higiene pessoal. A Defesa Civil e a Vigilância Sanitária também foram acionadas para investigar o caso.
O caso expõe falhas no sistema de fiscalização e atendimento da SABESP, que deveria agir com maior rapidez e transparência em situações que envolvem saúde pública. A população tem o direito de saber se a água que consome está segura, e a empresa não pode transferir toda a responsabilidade para os condomínios.
Enquanto a água não for analisada e liberada oficialmente, os moradores continuarão em alerta, enfrentando incertezas e prejuízos. A esperança é que órgãos competentes intervenham para resolver a crise e evitar que problemas semelhantes se repitam em outras regiões.

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