Aguarde, carregando...

Sábado, 07 de Novembro 2026
Mundo

Rival de Netanyahu tem luz verde para formar novo governo em Israel

Oposicionista Gadi Eisenkot terá até 42 dias para buscar uma maioria de apoio no Parlamento. Aliança com os partidos árabes parece improvável

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Rival de Netanyahu tem luz verde para formar novo governo em Israel
Bloco liderado por Gadi Eisenkot tenta atrair moderados e ultraortodoxos hoje ao lado de Netanyahu/Foto: Shir Torem/REUTERS
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

O oposicionista Gadi Eisenkot vai liderar as negociações para a formação de um novo governo em Israel — passo que possivelmente poderá pôr fim à era de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo do país.

O anúncio foi feito neste sábado (07/11) pelo presidente de Israel, Isaac Herzog, após consultas com os partidos eleitos ao Parlamento no último dia 27 de outubro.

A coalizão de Netanyahu, sustentada por partidos de ultradireita e ortodoxos, conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, ficando sem maioria para governar. 

Publicidade

Leia Também:

A aliança liderada por Eisenkot, por sua vez, obteve menos que isso: 48 assentos. Mas as 19 vagas restantes foram preenchidas por partidos da minoria árabe-israelense, que também rejeitam Netanyahu.

Todos esses 67 parlamentares de oposição apoiaram o nome de Eisenkot. Outros 46 apoiaram Netanyahu.

O partido Judaísmo Unido da Torá (UTJ), com sete cadeiras e historicamente parte da coalizão de Netanyahu, se absteve de recomendar qualquer candidato depois que o bloco de Eisenkot sinalizou abertura para uma aliança antes considerada improvável com ultraortodoxos.

Oposição terá até 42 dias para botar um governo de pé

Pelas regras vigentes em Israel, Eisenkot terá prazo de 28 dias, prorrogáveis por mais 14 dias, para constituir um novo governo.

Ele deverá ser incumbido oficialmente da tarefa neste domingo por Herzog.

"Farei o possível para que sejamos dignos [de governar]", reagiu Eisenkot nas redes sociais.

Nenhum partido em Israel jamais conquistou maioria absoluta. Por isso, os governos são formados por coalizões partidárias, após negociações que frequentemente duram várias semanas. Cada cadeira no Knesset conta, e pequenos partidos podem desempenhar papel decisivo ao se tornarem fiadores da maioria.

Caso Eisenkot fracasse, o presidente pode nomear outro candidato, que terá 28 dias, sem possibilidade de prorrogação. Se ele também fracassar, os deputados terão 21 dias para que ao menos 61 deles proponham um candidato. Esse candidato terá então mais 14 dias para formar um governo. 

Se o impasse persistir, o Knesset será dissolvido e novas eleições serão convocadas — Herzog já disse que fará de tudo para evitar esse cenário. Entre 2019 e 2022, Israel chegou a realizar cinco eleições por falta de consenso político no Parlamento.

Manifestação em Israel a favor de aliança da oposição sionista com os partidos árabesManifestação em Israel a favor de aliança da oposição sionista com os partidos árabes
Parte da sociedade israelense tem saído às ruas para exigir uma aliança da oposição com os partidos árabesFoto: Ilia Yefimovich/AFP

Quais são as opções para um governo de oposição a Netanyahu em Israel?

Apesar de desejada por alguns setores da sociedade israelense, uma aliança do bloco de Eisenkot com os partidos árabes parece improvável, dada  as críticas deles à guerra em Gaza e a resistência de setores de direita da oposição.

Netanyahu, por sua vez, tem insistido que tal aliança "desmantelaria o Estado de Israel por dentro", e defendeu a formação de um governo de unidade composto por "todos os partidos sionistas que desejam proteger nosso Estado".

O partido Yashar!, de Eisenkot, reagiu aos últimos apelos de Netanyahu convocando-o a anunciar, em prol da "união", o fim de sua aliança "com os extremistas" sionistas religiosos e a sua disposição "a se integrar em um governo liderado pelo primeiro-ministro Eisenkot".

O líder oposicionista tem tentado atrair ultraortodoxos e moderados hoje ao lado de Netanyahu. 

Um dos pontos que dividem os israelenses atualmente é a isenção do serviço militar para ultraortodoxos. Eisenkot propôs uma solução intermediária: a criação de um serviço nacional obrigatório, com a opção de escolha entre atuação civil ou militar.

Eisenkot já disse na sexta-feira que planejava formar um governo minoritário, ao menos inicialmente. Com o novo Parlamento a ser empossado na terça-feira, isso significaria que os partidos árabes e ultraortodoxos se absteriam de votar sobre a formação de governo. Mas essa opção também vem sendo rejeitada por aliados dentro de seu próprio bloco.

O líder da oposição tem insistido em sua disposição de se aliar a qualquer partido que: reconheça Israel como um estado judaico e democrático; aceite os valores da Declaração de Independência de Israel; concorde com o serviço obrigatório militar ou civil; e considere o Hamas uma organização terrorista que precisa ser desmantelada.

Jovem ultraortodoxo caído no chão durante protesto contra serviço militar obrigatório; uma agente de segurança brande um cassetete contra eleJovem ultraortodoxo caído no chão durante protesto contra serviço militar obrigatório; uma agente de segurança brande um cassetete contra ele
Ultraortodoxos rejeitam serviço militarFoto: Itai Ron/REUTERS

Quem é Gadi Eisenkot

Eisenkot tem 66 anos e foi chefe das Forças Armadas de 2015 a 2019. Filho de imigrantes marroquinos, ele seria o primeiro primeiro-ministro de Israel oriundo da comunidade dos mizrahi, judeus cujas raízes estão no Oriente Médio e no Norte da África. 

Reservado e avesso à exposição na mídia, entrou para a política em 2022. Após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, integrou por um breve período o gabinete de guerra de Netanyahu, antes de retornar à oposição. 

Da oposição, Eisenkot criticou publicamente e de forma contundente a liderança de Netanyahu, incluindo a condução da ofensiva militar na Faixa de Gaza. Também prometeu não servir em um governo liderado por ele.

Ao mesmo tempo, prometeu dar continuidade ao conflito e neutralizar o Hamas em até um ano e meio.

A reputação pública de Eisenkot está ligada à tragédia pessoal vivida por sua família, já que ele perdeu um filho e dois sobrinhos em combates em Gaza em 2023.

Durante a campanha eleitoral, Eisenkot destacou sua experiência na área de segurança. Nesse contexto, mencionou sua chamada "Doutrina Dahieh", que defende responder a ataques com força desproporcional. Ele aplicou essa estratégia como comandante durante a guerra de 2006 contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano. 

Eisenkot também criticou a violência de colonos contra palestinos, que aumentou significativamente desde 2023 e provocou tensões nas relações de Israel com países ocidentais. 

Além disso, rejeita os parceiros de coalizão de extrema direita de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Cidade a Cidade

Publicado por:

Cidade a Cidade

Cidade a Cidade abrindo espaço para você, cadastre-se e tenha o portal do Usuário. Fique por dentro de tudo o que acontece na sua cidade, opine, mande sua informação, reclamação ou dica.

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Cidade a Cidade
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível.