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Quarta-feira, 04 de Novembro 2026
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Papa Leão 14 vota por correio em eleição dos EUA

Nascido em Chicago, o primeiro papa americano da história enviou sua cédula a Illinois. Vaticano diz que ele considera o voto um dever cívico.

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Por Cidade a Cidade
Papa Leão 14 vota por correio em eleição dos EUA
Papa Leão votou em diversas ocasiões, incluindo eleições primárias/Foto: Yara Nardi/REUTERS
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O papa Leão 14 se tornou o primeiro pontífice a votar em uma eleição geral dos Estados Unidos, ao enviar pelo correio sua cédula para as eleições de meio de mandato de 3 de novembro, informou o Vaticano nesta sexta-feira (30/10).

Nascido em Chicago como Robert Francis Prevost, Leão 14 exerceu seu direito de voto por meio de uma cédula enviada ao estado de Illinois, onde está registrado como eleitor. Ele é o primeiro papa americano da história. 

"Ele exerceu seu direito de votar como cidadão dos Estados Unidos", afirmou o escritório de imprensa da Santa Sé.

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Segundo o Vaticano, o pontífice sempre participou de eleições quando esteve apto a fazê-lo e também votou durante o período em que viveu no Peru, onde atuou por mais de duas décadas como missionário e bispo.

"O Santo Padre expressa sua convicção de que os cidadãos têm o direito e o dever de participar dos processos democráticos", acrescentou o comunicado.

Leão 14, de 71 anos, possui cidadania americana e peruana. Como chefe de Estado da Santa Sé, também lidera o Estado da Cidade do Vaticano, uma monarquia absoluta sem eleições políticas.

Legislação permite voto do exterior

A legislação dos Estados Unidos permite que cidadãos residentes no exterior votem por meio de cédulas enviadas pelo correio. O Departamento de Estado americano observa que a cidadania de americanos que se tornam chefes de Estado estrangeiros pode ser objeto de análise, mas isso não implica perda automática da nacionalidade.

Segundo o cartório eleitoral do condado de Will, em Illinois, o pontífice solicitou a cédula de votação em 3 de outubro. O pedido foi feito dez dias antes de ele ser submetido a umacirurgia para retirada de um tumor cancerígeno no pulmão direito.

O Vaticano não informou como a cédula foi devolvida às autoridades eleitorais. O irmão mais velho do pontífice, John Prevost, esteve em Roma nesta semana acompanhando um grupo de fiéis da paróquia St. Jude, em New Lenox, cidade onde Leão 14 mantém registro eleitoral.

Leão 14 sentado de um lado de uma mesa, tendo Vence e Rubio do outroLeão 14 sentado de um lado de uma mesa, tendo Vence e Rubio do outro
Papa recebeu no Vaticano, no ano passado, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente americano, JD VencFoto: Alessia Giuliani/Catholicpressphoto/IMAGO

Registros do Conselho Eleitoral de Illinois mostram que Robert Prevost participou de eleições primárias do Partido Democrata e do Partido Republicano. Os registros também mostram participação nas eleições gerais desde 2000, com exceção das disputas de 2020 e 2022.

O Vaticano não revelou quais candidatos receberam o voto do pontífice na eleição deste ano.

Atritos com Trump

A votação ocorre em meio a uma relação marcada por divergências públicas entre Leão 14 e o presidente republicano Donald Trump.

Desde o início de seu pontificado, o papa tem criticado a condução da guerra envolvendo Irã e Israel, além da política migratória adotada pelo governo americano. Também defendeu tratamento digno aos imigrantes diante do programa de deportações em massa promovido pela administração Trump.

O presidente respondeu em diversas ocasiões, classificando o pontífice como "fraco" e alinhado à "esquerda radical".

Em abril, durante uma viagem à África, Leão reagiu às críticas. "Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que é o trabalho da Igreja", afirmou a jornalistas.

Apesar dos embates, as tensões entre a Santa Sé e Washington diminuíram nos últimos meses. O secretário da Seção para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais do Vaticano, arcebispo Richard Paul Gallagher, afirmou recentemente que eventuais divergências devem ser superadas por meio do diálogo e da reconstrução da confiança.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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