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Risco de conflito violento com a Rússia preocupa a Alemanha

Alerta partiu do chefe do serviço de inteligência externa do país, que vê ameaça "real e iminente" de ataques semelhantes ao ocorrido no aeroporto de Leipzig.

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Por Cidade a Cidade
Risco de conflito violento com a Rússia preocupa a Alemanha
Chefes dos serviços de inteligência da Alemanha alertaram o Parlamento sobre ameaças atribuídas à Rússia/Foto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
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A Alemanha corre o risco de se ver envolvida em um conflito violento à medida que a Rússia intensifica uma "guerra nas sombras" cada vez mais agressiva contra as democracias europeias, alertou nesta segunda-feira (05/10) o chefe do serviço de inteligência externa do país. 

"O confronto que enfrentamos com a Rússia adquiriu uma nova e mais perigosa dimensão", disse Martin Jaeger, que dirige o BND, órgão responsável pelo monitoramento de ameaças no exterior. "A Alemanha corre o risco de se ver envolvida em um conflito violento com a Rússia."

Jaeger fez o alerta durante a audiência pública anual dos chefes dos serviços de inteligência no Parlamento. Atualmente, os deputados discutem a aprovação de uma lei que daria a esses órgãos novos poderes para conduzir operações de prevenção de ataques.

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Criados após a Segunda Guerra Mundial, quando as lembranças do regime nazista ainda estavam muito presentes, os serviços de inteligência da Alemanha tradicionalmente operam sob restrições mais rígidas do que os de países aliados como França, Reino Unido e Estados Unidos.

"A Rússia conduz uma guerra nas sombras contra nós. Essa guerra não declarada não pode ser compreendida por meio das categorias militares ou jurídicas convencionais", afirmou Jaeger. 

Como exemplo, ele citou a tentativa de ataque com drones no aeroporto de Leipzig. E frisou que a Alemanha está sob ameaça "real e iminente" de novas tentativas de interferência e intimidação, incluindo de ataque nuclear.

As autoridades alemãs têm acusado repetidamente a Rússia de conduzir uma guerra híbrida que mistura ataques cibernéticos, drones, espionagem e sabotagem, algo que Moscou nega veementemente.

O objetivo do Kremlin, afirmou Jaeger, é pressionar a Alemanha, maior apoiadora da Ucrânia, a desistir de ajudar Kiev.

"Se a Alemanha vacilar, toda a Europa — e o apoio da Europa à Ucrânia — começaria a ruir. Esse é o eixo de ataque que a Rússia mira e persegue."

O chanceler federal alemão Friedrich Merz visita área bombardeada em Kiev ao lado do presidente Volodimir Zelensky; foto do dia 4 de outubro de 2026O chanceler federal alemão Friedrich Merz visita área bombardeada em Kiev ao lado do presidente Volodimir Zelensky; foto do dia 4 de outubro de 2026
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, ao lado do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, defende a manutenção do apoio militar a KievFoto: Kay Nietfeld/dpa/picture alliance

"Rússia está testando a Alemanha e a Otan"

Segundo Jaeger, Moscou pode usar a força para alcançar seus objetivos e as operações dos serviços de inteligência russos na Alemanha e contra o país estão se tornando "cada vez mais agressivas".

"A Rússia está nos testando e observando atentamente como lidamos com essa situação. Na visão da liderança do Kremlin, qualquer sinal de hesitação os incentiva a aumentar ainda mais a pressão sobre a Alemanha."

Jaeger afirmou não haver indícios de um ataque russo em larga escala e iminente contra território da aliança militar Otan, mas ressaltou que a Rússia "pode realizar atividades militares de baixa intensidade, especialmente nos países bálticos".

Essas ações "pontuais, de menor escala", poderiam incluir o uso de soldados mascarados em uniformes não identificados, como ocorreu durante a anexação da Crimeia ucraniana em 2014.

O objetivo seria não provocar um conflito em larga escala com a Otan, mas "testá-la e ver como a aliança responde a essas incursões".

"Moscou aposta na nossa fraqueza", acrescentou. "Temos de resistir a isso."

Sinan Selen, chefe do Departamento Federal de Proteção da Constituição, que lida com ameaças internas, destacou que as operações russas vão muito além da espionagem tradicional e incluem "sabotagem e assassinatos". 

"A indústria de defesa e a infraestrutura militar estão na mira", afirmou Selen, acrescentando que Moscou "já aceita o risco de possíveis vítimas civis" em sua campanha agressiva contra a Alemanha.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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