O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou um decreto que concede perdão de dívidas a novos recrutas militares e seus cônjuges. Numa declaração da noite de segunda-feira (25/05), o Kremlin disse que a isenção poderia chegar a 10 milhões de rublos (aproximadamente R$700 mil).
O governo russo vem intensificando os esforços para aumentar os quadros das Forças Armadas na guerra contra a Ucrânia. De acordo com o decreto, o benefício vale para recrutas que tenham assinado, a partir do último mês de maio, contratos de pelo menos um ano para participar na invasão do país vizinho.
Segundo o banco de dados imobiliário russo Cian, 10 milhões de rublos correspondem aproximadamente ao preço de um apartamento de um cômodo com 35 metros quadrados em Moscou.
Há mais de quatro anos, a Rússia oferece salários elevados a homens que se alistam para lutar na ofensiva contra a Ucrânia. Putin ainda defende que veteranos recebam cargos de prestígio na Rússia ao retornarem do front, além de prioridade no acesso a universidades e instituições de ensino superior ou técnico.
Mortes no front
Mais recentemente, as Forças Armadas lançaram uma campanha em universidades para recrutar estudantes para a guerra. Esforços nesse sentido para recrutar presidiários em troca de anistia também provocaram um esvaziamento de cadeias russas desde 2022.
Observadores afirmam, no entanto, que o número de voluntários continua em queda, o que alimenta especulações sobre uma nova onda de mobilização forçada, semelhante à ordenada por Putin no fim de 2022, após a Rússia sofrer uma série de reveses militares na Ucrânia.
De acordo com dados oficiais, cerca de 300 mil homens foram convocados durante aquela mobilização.
Estima-se que a Rússia tenha hoje cerca de 700 mil soldados na zona de guerra. Mas, pelos cálculos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), as baixas ultrapassariam 30 mil militares por mês.
Legislação para intervenção militar
Também na segunda-feira, Putin promulgou uma lei que autoriza o envio de forças armadas para fora da Rússia, com o objetivo de proteger os seus cidadãos que enfrentem processos judiciais em outros países.
A legislação permitiria a Moscou intervir militarmente em países terceiros, sob a justificativa de que a liberdade de cidadãos russos está ameaçada por processos judiciais ou detenções realizadas sem a autorização da Rússia ou fora do direito internacional.
O presidente do Comitê de Defesa do Parlamento russo, Andrey Kartapolov, afirmou que a lei permitiria intervenções em casos como o do arquiteto russo Alexander Butyagin.
Ele foi preso em dezembro de 2025 na Polônia, a pedido do governo ucraniano, por ter realizado escavações na Crimeia, região anexada pelo Kremlin em 2014. Em abril, foi libertado como parte de uma troca de prisioneiros entre Ucrânia e Rússia.

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