O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou numa entrevista que não ficou preocupado durante o ataque a tiros que levou forças de segurança a retirá-lo às pressas de um evento de gala com jornalistas em Washington, no sábado passado (25/04).
"Não fiquei preocupado. Compreendo a vida. Vivemos num mundo louco", afirmou Trump numa entrevista ao programa 60 Minutes, da emissora CBS, exibida na noite de domingo.
O homem que abriu fogo no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca criticou duramente as políticas do governo Trump e autointitulou-se um "Assassino Federal Amigável" em mensagens enviadas a familiares minutos antes do ataque.
Por essa razão, as autoridades americanas acreditam que o ataque teve motivações políticas. "Parece que ele pretendia realmente atacar as pessoas que trabalham no governo, provavelmente incluindo o presidente", declarou o procurador-geral interino Todd Blanche à emissora NBC.
"Não sou um pedófilo"
Trump se irritou com a jornalista que o entrevistou, Norah O'Donnell, quando ela leu parte do manifesto escrito pelo suposto autor dos disparos. Segundo as investigações preliminares, o suspeito teria mirado Trump e outros membros do governo dos EUA.
"Já não estou disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje as minhas mãos com os seus crimes", leu O'Donnell. O trecho aparentemente faz referência a Trump e a um suposto envolvimento dele nos escândalos em torno do criminoso sexual Jeffrey Epstein, que foi encontrado morto na prisão em 2019.
"Eu estava esperando você ler isso, porque sabia que iria fazê-lo, porque vocês [jornalistas] são pessoas horríveis", respondeu Trump. "Eu não sou um estuprador. Não estuprei ninguém. Não sou um pedófilo. Você leu esse lixo escrito por uma pessoa doente. Associaram-me a coisas que nada têm a ver comigo. Fui totalmente inocentado", afirmou.
Trump disse que o suspeito era um "cara bem doente" que havia sido denunciado às autoridades por familiares e havia publicado um manifesto "anticristão".
"Ele era cristão, crente, e então se tornou um anticristão, e passou por muitas mudanças", disse Trump. "Ele provavelmente era um cara bem doente."
Melania "lidou muito bem com a situação"
O presidente comentou ainda a reação da primeira-dama, Melania Trump, que também se encontrava na mesa presidencial quando se ouviram os tiros e as pessoas no salão do hotel Hilton começaram a se proteger debaixo das mesas.
"As pessoas não gostam que se diga que estavam assustadas, mas, certamente, quem não ficaria quando se tem uma situação dessas? Naquele momento, acho que ela percebeu logo que aquilo era mais uma bala do que uma bandeja", disse Trump, numa referência à declaração de que, inicialmente, pensara que a agitação se devia à queda de uma bandeja.
O republicano afirmou que a primeira-dama "parecia muito incomodada com o que acabara de acontecer" e que é uma mulher "muito forte e inteligente". "Eu já passei por isso algumas vezes, mas ela, a esse nível, não. Ela lidou muito bem com a situação", disse.

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