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A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta terça-feira (06/10) que as autoridades russas informaram que não há casos de peste na cidade siberiana de Irkutsk, onde uma funcionária de 28 anos de um instituto de pesquisa sobre a peste morreu na semana passada.
A agência de saúde da ONU afirmou considerar baixo o risco para a saúde pública na Rússia, após relatos não confirmados de que a funcionária do laboratório teria morrido de peste pneumônica.
De acordo com a OMS, as autoridades russas identificaram todas as pessoas que tiveram contato com a funcionária, que morreu de causa ainda desconhecida. Até o momento, nenhuma delas apresentou sintomas da doença, segundo a organização.
A Rússia havia comunicado anteriormente à OMS que as autoridades investigavam se a peste pneumônica teria sido a causa da morte da mulher.
Há relatos contraditórios sobre como e onde ela adoeceu. O site de notícias local Lyudi Baikala citou fontes não identificadas segundo as quais a técnica de laboratório morreu de peste pneumônica, mas as autoridades afirmaram que ela veio a óbito por uma pneumonia cuja origem ainda não foi determinada.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou nesta segunda-feira que não vê motivo para alarme, mas que os EUA acompanham o caso de perto, cientes de que a doença pode se espalhar rapidamente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a morte representa "um grande problema para a Rússia" e ofereceu ajuda a Moscou para lidar com a situação. Os Estados Unidos pediram "transparência" na divulgação das informações sobre o caso.
Desconfiança internacional
A versão oficial da Rússia diverge da de veículos locais e de posts nas redes sociais que informaram anteriormente que a pesquisadora teria deixado cair um tubo de ensaio durante o trabalho. Poucos dias depois, ela foi internada com sintomas respiratórios graves e morreu na sexta-feira (02/10), em um hospital de Shelekhov, perto de Irkutsk.
Apesar das negativas de Moscou sobre um acidente de laboratório, a resposta das autoridades sanitárias ao caso chamou atenção. O instituto de pesquisa foi colocado em quarentena, funcionários foram isolados e unidades hospitalares da região adotaram medidas emergenciais de contenção.
A desconfiança internacional também foi ampliada por informações contraditórias divulgadas pelas próprias autoridades russas. Relatórios iniciais mencionavam uma "infecção particularmente perigosa", expressão normalmente reservada a enfermidades de alto potencial de transmissão e letalidade.
Morte de causa desconhecida
Posteriormente, porém, as autoridades russas disseram que a jovem morreu de causa desconhecida e que não encontraram evidências de que sua doença tenha sido causada por qualquer um dos patógenos com os quais trabalhava.
"A doença inicialmente se manifestou como uma infecção viral respiratória aguda típica", detalhou a agência de saúde da ONU.

Segundo a OMS, duas pessoas que tiveram contato com a mulher testaram positivo para um vírus causador de resfriado comum, enquanto outras duas testaram positivo para covid-19. Todos os demais testados tiveram resultado negativo.
Peste pneumônica pode ser fatal
A Organização Mundial da Saúde considera a peste pneumônica a forma mais agressiva da doença causada pela bactériaYersinia pestis. Diferentemente da peste bubônica - que estima-se ter matado na Idade Média um terço da população europeia -, a variante pneumônica pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio de gotículas respiratórias e, sem tratamento rápido, pode levar à morte em menos de 24 horas após o surgimento dos sintomas.
A peste é endêmica na Sibéria, local do primeiro surto humano pré-histórico conhecido da doença. Isso ocorre porque a bactéria causadora está presente entre pequenos mamíferos selvagens e suas pulgas nas vastas áreas de natureza da região. Ainda assim, é raro que russos adoeçam de peste, embora casos sejam registrados todos os anos em outras partes do mundo, especialmente na África.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os médicos são aconselhados a não esperar pela confirmação laboratorial, mas a iniciar a administração de antibióticos assim que houver suspeita de peste. Para evitar a propagação da infecção, os pacientes são isolados. Pessoas que tiveram contato próximo com um paciente são tratadas mesmo que não apresentem sintomas.

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