A agência de saúde pública da Suécia pediu nesta segunda-feira (01/06) que pais deixem os celulares de lado ao passarem tempo com seus filhos. As novas recomendações se baseiam em pesquisas sobre o impacto do uso de telas, de acordo com o órgão.
"Guarde o celular quando estiver com seu filho. Use-o apenas se for necessário ou quando estiver usando junto com a criança", diz o comunicado da Agência de Saúde Pública da Suécia.
Desde 2024, o órgão recomendava que pais "refletissem" sobre o uso de smartphones perto das crianças, mas, nas novas diretrizes, apresentou orientações mais concretas. Os pais foram também incentivados a desenvolver "hábitos saudáveis de uso de telas para si mesmos", acrescentando que isso influencia diretamente os hábitos das crianças.
Pesquisas citadas pelas autoridades de saúde suecas mostram que o uso frequente de telas por pais pode afetar negativamente a interação com os filhos, enquanto os filhos de pais que usam muito dispositivos eletrônicos têm maior probabilidade de desenvolver comportamentos semelhantes.
"As crianças não são influenciadas apenas pelo que os adultos dizem, mas também pelo que fazem. Por isso, pequenas mudanças no cotidiano podem fazer diferença tanto nas interações do presente quanto nos hábitos da criança ao longo do tempo", afirma Helena Frielingsdorf, psiquiatra que atua na agência.
"Zonas livres de telas"
Outras recomendações da agência incluem adotar "zonas livres de telas", semelhantes às sugeridas para crianças, como quartos e a mesa de jantar; evitar telas antes de dormir; e não apresentar as telas às crianças antes dos dois anos de idade.
Em 2024, o órgão afirmou que o excesso de telas pode piorar a qualidade do sono, provocar depressão em crianças e resultar em atividade física insuficiente, além de estar associado à obesidade e às dores nas costas.
Nos últimos anos, o país nórdico tem buscado reduzir o tempo que crianças passam em celulares.
O governo sueco anunciou em janeiro que pretende proibir smartphones nas escolas para alunos até o nono ano, o que corresponde a crianças e adolescentes de até 15 ou 16 anos. A vedação já foi adotada pelo Brasil no ano passado, por meio de uma lei aprovada no Congresso Nacional.
Enquanto isso, mais de uma dezena de países tem discutido restringir o acesso de menores de idade às redes sociais. No Brasil, começou a valer em março a lei conhecida como ECA Digital, que não proíbe a presença de menores de idade nas redes, mas impõe uma série de restrições ao conteúdo que eles podem acessar.

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