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A edição de 2026 do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1 terá um troféu que combina engenharia de precisão, design e referências à história do automobilismo. Apresentada em 20 de outubro, a peça foi concebida a partir do som dos motores V10, conhecidos pelo ronco marcante que se tornou uma das assinaturas sonoras da categoria. A corrida será realizada entre 6 e 8 de novembro, no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos.
O projeto é assinado pelos designers Fábio Castellotti, Fernando Lambiasi e Gabriel Scholab, ligados ao estúdio Secret Weapon. A fabricação ficou a cargo da BTOMEC Ferramentaria e Usinagem de Precisão, empresa sediada em Joinville, Santa Catarina, em um trabalho que reuniu criação e desenvolvimento em São Paulo e produção industrial catarinense.
Um coletor de escapamento convertido em obra de design
A principal inspiração visual é o coletor de escapamento de um motor V10. Cinco tubos se unem em um conjunto de linhas curvas, criando uma peça que muda de interpretação conforme o ângulo de observação. A proposta é fazer com que o objeto conte diferentes histórias sem perder sua unidade visual.
O desenho reúne referências ao automobilismo, à geografia e à cultura brasileira:
* O S do Senna: visto de cima, o formato remete à curva mais emblemática de Interlagos, associada a Ayrton Senna.
* A bandeirada final: de outro ângulo, as curvas lembram uma bandeira quadriculada em movimento.
* São Paulo: as linhas fazem referência às iniciais S e P da cidade, além do sentido anti-horário do circuito.
* Música e velocidade: os cinco tubos remetem às linhas de uma partitura musical e, em outra perspectiva, a uma colcheia, figura musical.
* Brasil e pista: o contorno do país aparece na vista frontal, enquanto as zebras do circuito são representadas na base.
As referências foram explicadas por Castellotti na apresentação oficial do projeto. A ideia é homenagear tanto a memória sonora da Fórmula 1 quanto a identidade de São Paulo e do Brasil.
Titânio, impressão 3D e acabamento artesanal
A peça é produzida em titânio puro, material escolhido para uma criação que exige resistência e precisão geométrica. O processo utilizado é a Fusão Seletiva a Laser, conhecida pela sigla SLM (Selective Laser Melting).
Na prática, a tecnologia funciona como uma impressão 3D metálica: um laser de alta potência funde o pó de titânio camada por camada, formando uma estrutura sólida. No troféu de 2026, foram utilizadas mais de 20 mil camadas, em um processo que opera a temperaturas superiores a 2.000 °C.
Os números divulgados dão uma dimensão da complexidade da fabricação:
Material: Titânio puro
Peso do troféu do vencedor: 5,7 kg
Altura: 55 cm
Dimensões da base em planta: 22,5 × 24,3 cm
Impressão de cada peça: 190 horas
Acabamento artesanal: 500 horas
* Dados divulgados pela organização do GP de São Paulo e os tempos de produção são aproximados
A fabricação e a finalização das peças levaram cerca de dez meses, combinando tecnologia industrial com trabalho manual. O processo de impressão exige aproximadamente oito dias por unidade, e o acabamento artesanal demanda outras centenas de horas, de acordo com os responsáveis pelo projeto.
A estrutura tecnológica utilizada também chama a atenção pelo investimento industrial: a organização informou que a máquina de fusão a laser custa cerca de US$ 3 milhões, aproximadamente R$ 15 milhões, enquanto o conjunto de maquinário empregado pela fabricante chega a R$ 60 milhões. Esses valores se referem aos equipamentos industriais, não ao preço dos troféus.
Quanto custa cada troféu da Fórmula 1 em São Paulo?
Segundo informações o preço individual para cada troféu da edição de 2026 é em torno de 200 mil reais.
Um objeto que conta a história da corrida
A criação de 2026 mostra como um troféu esportivo pode ultrapassar sua função de premiar um resultado. Ao combinar o som histórico dos motores V10, as curvas de Interlagos, referências a Senna e elementos da identidade brasileira, o projeto transforma uma conquista esportiva em uma peça de design industrial.
Para os pilotos que subirem ao pódio, o troféu será a lembrança material de um fim de semana de competição. Para o público, será também uma representação da ligação entre a Fórmula 1, a cidade de São Paulo e a história do automobilismo brasileiro.
