Sob pressão popular, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, decidiu, na noite dessa terça-feira (21/7), trocar o comando do exército do país.
Pelo Telegram, o líder ucraniano anunciou a demissão de Oleksandr Sirski, então comandante-chefe das forças armadas desde 2024. Ele será substituído por Mikhailo Drapati.
Sirski, de 60 anos, ocupava o cargo desde 2024 e estava entre os comandantes mais experientes de Kiev, tendo liderado a defesa da capital ucraniana no início da invasão em grande escala da Rússia, em 2022.
A demissão dele ocorreu após dias de atos públicos em apoio ao ex-ministro da Defesa Mikhailo Fedorov, que deixou o governo em 14 de julho. Empresário da área da tecnologia e sem experiência militar prévia, o ex-ministro de 35 anos defendia o uso em larga escala de novas tecnologias para ampliar o potencial dos drones e uma reforma profunda nas Forças armadas. Fedorov acusou Sirski de pressionar Zelenski a destituí-lo – acusação que ex-comandante-chefe negou.
Protestos de rua em Kiev e em outras cidades exigiram o retorno de Fedorov, visto como uma figura-chave na modernização militar, e instaram Zelenski a demitir Sirski, considerado parte da velha guarda.
Após recuar, Zelenski ofereceu a Fedorov o que chamou de um cargo de prestígio no governo, que unificaria o setor de tecnologia do país. Não foi divulgado se Fedorov aceitou a oferta.
O ex-ministro da Defesa apoiou a nomeação de Drapati para o posto de Sirski, chamando-a de "nova esperança na luta do povo livre pela liberdade e pela justiça" e "uma voz pela mudança que não poderia passar despercebida".
Em seu anúncio, Zelenski elogiou Sirski pelos "resultados na defesa de Kiev, na contraofensiva de Kharkiv e na operação em Kursk", manifestando gratidão a ele a "todos os soldados ucranianos por manterem a frente de batalha".
Nascido e formado na Rússia, Sirski tornou-se comandante das forças ucranianas em fevereiro de 2024, nomeado pelo presidente para substituir o general Valeri Zaluzhni, que liderava as forças armadas ucranianas desde 2021 e se tornou uma figura popular e reconhecida internacionalmente após a invasão russa em 2022.
A demissão do general Sirski é "um sopro de ar fresco" e "uma nova esperança" na luta contra a Rússia, comemorou, por sua vez, Fedorov.

O novo comandante
Visto como desfiado em relação a figuras com ambições políticas, Zelenski acabou cedendo às pressões para demitir Sirski, um militar de carreira. De acordo com analistas consultados pela agência France-Presse, o ex-comandante não representava uma ameaça para o atual presidente – ao contrário de seu antecessor, o extremamente popular Zaluzhni.
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Nascido na Rússia e formado em Moscou, Sirski nunca conseguiu se livrar da reputação de general com antiga mentalidade soviética: seus críticos o acusam de dar pouca importância às baixas humanas, o que lhe rendeu o apelido de "açougueiro" entre parte dos ucranianos.
Já Drapati, o terceiro comandante-chefe das forças armadas desde a invasão da Rússia, em fevereiro de 2022, é um major-general condecorado que anteriormente comandou o exército de terra da Ucrânia e lutou contra separatistas apoiados por Moscou durante a guerra do Donbass.
Ele é famoso na Ucrânia por um vídeo que o mostra batendo com um veículo blindado contra um posto de controle separatista na cidade de Mariupol, durante os confrontos entre milícias pró-Rússia e forças governamentais em 2014.
O militar de 43 anos agradeceu a Zelenski pela nomeação em uma postagem no Facebook. "Servir à Ucrânia sempre foi uma honra para mim e, durante a guerra pela independência, isso significa responsabilidade absoluta", disse ele.
"Glória à nação. Morte aos inimigos", concluiu.

Três mortos em ataques russos
Também nesta terça-feira, pelo menos três pessoas morreram em ataques russos em toda a Ucrânia, informou Zelenski no Telegram.
Em Zaporíjia , no sudeste do país, duas pessoas morreram e várias outras ficaram feridas quando um prédio de apartamentos foi atingido por bombas planadoras, disse o presidente. Ele também informou que outra pessoa morreu e duas ficaram feridas na cidade de Kherson, no sul do país. As forças armadas russas utilizaram bombas planadoras e drones no ataque, alegou Zelenski.
Segundo o líder ucraniano, duas pessoas também ficaram feridas em ataques a Odessa, no Mar Negro, e nas redondezas.
Em Sumy, no nordeste da Ucrânia, a autoridade regional de defesa civil indicou que seis moradores de um prédio de apartamentos de vários andares ficaram feridos em ataques com drones ocorridos durante a madrugada. Quatro deles eram menores de idade.
Segundo as autoridades, a Rússia lançou vários ataques durante a noite. Um grande incêndio eclodiu em um shopping center, e ataques subsequentes, realizados enquanto os bombeiros combatiam as chamas, danificaram veículos de emergência.

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