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Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026
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Ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história

Relatório do sistema europeu Copernicus mostra que, pela primeira vez, a média das temperaturas num período de três anos teve elevação superior a 1,5°C, o limite estabelecido no Acordo de Paris

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Por Cidade a Cidade
Ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história
Incêndios florestais extremos em locais como os Estados Unidos e a Austrália têm sido associados ao aumento da temperatura causado pela queima de petróleo, gás e carvãoFoto: ETIENNE LAURENT/AFP/Getty Images
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Depois de um ano em que incêndios florestais devastaram Los Angeles , um ciclone tropical deixou um rastro de inundações e mortes no Sudeste Asiático e a seca levou o Irã a planejar a mudança de sua capital, não é exatamente uma surpresa que 2025 tenha sido o terceiro ano mais quente já registrado, após as temperaturas sem precedentes observadas em 2023 e 2024.

As conclusões do Copernicus, programa de monitoramento climático da União Europeia, também revelam que as temperaturas globais dos últimos três anos ficaram, em média, mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, a marca-limite do Acordo de Paris. É a primeira vez que um triênio ultrapassa esse limite.

Segundo o monitor climático da UE, as temperaturas em 2025 estiveram 1,47°C acima dos níveis pré-industriais – apenas 0,01 °C mais baixas do que em 2023 – após um aumento de 1,6°C em 2024. A temperatura média global em 2025 foi de 14,97°C.

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Mauro Facchini, que supervisiona a observação da Terra para a Comissão Europeia, descreveu o triênio acima do limite de 1,5°C como um "marco que nenhum de nós desejava alcançar".

Cientistas há muito alertam sobre os perigos de ultrapassar esse limite estabelecido no acordo climático de Paris de 2015. Eles enfatizam que o aquecimento global acima desse nível significará mais dias de calor extremo, assim como um aumento nas enchentes mortais e tempestades devastadoras.

Carlo Buontempo, diretor do serviço de mudanças climáticas do Copernicus, disse que o mundo está a caminho de ultrapassar o limite no longo prazo. "A escolha que temos agora é como melhor gerenciar o inevitável excesso e suas consequências nas sociedades e nos sistemas naturais", afirmou.

Parque eólico na Austrália
Fontes de energia renováveis, como a eólica e a solar, oferecem uma alternativa aos combustíveis fósseis poluentes Foto: Lakeview Image Library/imageBROKER/picture alliance

Cientistas concordam com a necessidade de reduzir simultaneamente as emissões de gases de efeito estufa, fazendo a transição para a energia limpa, e de se adaptar para viver num planeta em aquecimento .

Na cúpula climática das Nações Unidas em Belém, os países prometeram 120 bilhões de dólares (R$ 645,5 bilhões) para nações vulneráveis, com o propósito de financiar projetos de adaptação, como diques, sistemas de alerta precoce e culturas resistentes à seca. As promessas de financiamento climático, contudo, nem sempre se traduziram em ação.

El Niño contribuiu para tendência de três anos

Os gases de efeito estufa, que absorvem e retêm o calor na atmosfera, continuam sendo a principal causa do aumento das temperaturas globais. Liberados com a queima de petróleo, carvão e gás para mover carros ou aquecer residências, eles estão relacionados ao aumento de eventos climáticos extremos que põem em risco vidas em todo o mundo.

O problema é agravado pela destruição de sumidouros naturais de carbono, como florestas, que de outra forma absorveriam CO2.

"Os dados atmosféricos de 2025 mostram um quadro claro: a atividade humana continua sendo o principal fator responsável pelas temperaturas excepcionais que estamos observando", disse Laurence Rouil, diretor do serviço de monitoramento atmosférico do Copernicus, acrescentando que "os gases de efeito estufa aumentaram constantemente nos últimos dez anos".

Mas em 2023 e 2024, esse quadro foi exacerbado por um El Niño particularmente forte – um padrão climático pouco frequente, que empurra o calor do oceano para a atmosfera.

As consequências foram visíveis em todo o mundo. O Copernicus descobriu que o gelo marinho nos polos Norte e Sul atingiu uma baixa recorde em 2025. Além disso, a Antártida teve a temperatura anual mais quente já registrada, e metade da área terrestre do mundo experimentou dias mais quentes do que o normal.

"A atmosfera está nos enviando uma mensagem, e devemos ouvi-la", disse Rouil.

FONTE/CRÉDITOS: Josh Axelrod/DW Brasil
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