Filas que se estenderam por dias, empurra‑empurra, brigas, portas danificadas, lojas fechadas antes da hora e gás lacrimejante. O lançamento de uma coleção especial de relógios de bolso da Swatch com a marca suíça de luxo Audemars Piguet causou cenas caóticas no último fim de semana em dezenas de lojas nos Estados Unidos e na Europa.
Nesta segunda-feira (18/05), a Swatch afirmou culpou a falta de organização por parte dos shoppings pelas confusões. Nas redes, vários usuários criticaram o que chamaram de "surto de consumismo" enquanto vários compradores admitiram que esperavam revender com lucros os itens, ofertados nas lojas por cerca de 400 dólares (R$ 2.000).
A coleção "Royal Pop" foi vendida apenas em lojas selecionadas da Swatch. Com isso, longas filas se formaram em frente aos estabelecimentos. Centenas de pessoas esperaram a noite toda ou até mais tempo na esperança de conseguir um dos relógios, anunciados como uma "colaboração revolucionária" com a Audemars Piguet, fabricante suíça que produz relógios que podem custar dezenas de milhares de dólares.
Na entrada da loja da Swatch na Times Square, em Nova York, houve "empurrões e aglomeração em todas as direções", contou à agência France-Presse (AFP) o nova‑iorquino John McIntosh, de 44 anos, que ficou na fila entre quarta‑feira (13/05) e sábado (16/05).
Já na Europa, houve registro de tumulto e enfrentamento com a polícia, levando ao fechamento temporário de lojas na Alemanha, França, Holanda e Reino Unido. Nas redes, centenas de vídeos mostraram compradores "bem-sucedidos" exibindo suas compras, mas também cenas de caos.
Objetivo de vários compradores: a revenda
O objetivo de McIntosh e da maioria dos outros clientes – alguns dos quais esperaram até uma semana em frente à loja – era comprar os relógios de bolso, que custavam entre 400 e 420 dólares (entre R$ 2 mil e R$ 2,1 mil), para revendê‑los com margem de lucro, esperando que a associação dos itens com a mais luxuosa marca Audemars Piguet garanta uma valorização dos relógios de plástico, que não tem pulseira e cujo design lembra uma tag de bagagem.
Outro comprador, que se identificou como Mac, disse que conseguiu comprar um relógio após cinco dias na fila. "Foi bem caótico", afirmou. "É horrível, mas consegui entrar”, complementou Mac à agência de notícias AFP.
"O preço de varejo deles é de cerca de US$ 400, mas acabei de vender um por US$ 4 mil (R$ 20 mil)", contou.
Vestido com um terno cinza e óculos escuros, Benny, de 30 anos, decidiu pagar em vez de esperar, desembolsando US$ 2.400 (R$ 12 mil) por um dos relógios.
"É basicamente US$ 2 mil (R$ 10 mil) a mais que o preço de varejo, mas você não consegue um AP (Audemars Piguet) por menos de US$ 2 mil, então acho que foi um ótimo negócio", disse ele.
No entanto, alguns observadores do mercado de relógios apontaram que o mercado de revenda arrisca não se revelar tão promissor no longo prazo, já que não se trata de uma edição "limitada", mas sim "especial", o que pode levar a Swatch a continuar a produzir os relógios, afastando no médio prazo uma situação de escassez e de inflação de preços. Mas, por enquanto, o "hype" em torno do relógio parece estar a todo vapor.

Confusão e lojas fechadas na Europa
Na Alemanha, segundo a emissora WDR, houve grande fluxo de pessoas nas lojas Swatch em Düsseldorf e Colônia. De manhã cedo, a fila em Düsseldorf tinha mais de 300 metros, e a polícia precisou intervir temporariamente para manter a ordem. Em Colônia, a situação foi semelhante.
Mais tarde, a conta alemã da Swatch no Instagram anunciou que, "levando em conta a segurança pública", as lojas em Colônia e Düsseldorf seriam fechadas.
Ainda na Alemanha, vários jornais apontaram que algumas pessoas acamparam por vários dias em frente a lojas para conseguir comprar os itens.
"Acampar na frente de uma loja por uma semana para comprar um relógio de plástico por 385 euros — e, em seguida, revendê-lo por três vezes esse preço. Bem-vindo ao mundo absurdo do hype dos relógios", apontou uma reportagem do site alemão Merkur.
Na França, longas filas se formaram durante a noite de sexta para sábado em diversas cidades. Em alguns locais houve tensões, e as autoridades tiveram que intervir.
Em um shopping na região metropolitana de Paris, cerca de 300 pessoas se dirigiram pela manhã a uma loja da Swatch onde os relógios "Royal Pop" seriam vendidos. A multidão foi dispersada com gás lacrimogêneo, segundo relatos.
Um portão metálico e duas portas de segurança foram danificados, e policiais e seguranças foram atacados. A venda foi suspensa sem previsão de nova data.
Na cidade italiana de Milão, segundo a imprensa, houve brigas na abertura das lojas pela manhã. Em outra loja da cidade, houve revolta quando os vendedores informaram que todos os relógios da coleção já estavam esgotados.
Na Holanda, a polícia teve de intervir em um shopping center próximo a Haia, depois que centenas de pessoas se dirigiram até a loja da Swatch. A loja não abriu, e a polícia informou que imperou um clima tenso no local.

Swatch culpa shoppings centers por confusão
Por preocupação com a "segurança" de clientes e funcionários, a Swatch também fechou todas as lojas em Londres, Liverpool, Manchester e outras cidades do Reino Unido.
"Houve problemas (...) porque as filas eram extremamente longas e a organização por parte de alguns shoppings não foi suficiente para lidar com a procura", afirmou a Swatch em comunicado à agência de notícias AFP.
A empresa também gerou incidentes semelhantes durante o lançamento, em 2022, de uma colaboração MoonSwatch com a Omega.
"Assim como aconteceu com o MoonSwatch, a situação se 'normalizou' um pouco após o dia do lançamento, especialmente depois que comunicamos novamente que a coleção Royal Pop estaria disponível por vários meses", afirmou a empresa.



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