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Sexta-feira, 24 de Abril de 2026
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Canadá e México anunciam retaliações às tarifas de Trump

Premiê canadense sobe o tom e reage na mesma moeda após Trump anunciar sobretaxas de 25% às importações. México e China anunciam contramedidas. Analistas veem o que pode ser "prenúncio de uma nova guerra comercial".

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Canadá e México anunciam retaliações às tarifas de Trump
IMAGO/ZUMA Press
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Os líderes do Canadá e do México reagiram ao decreto assinado neste sábado (01/02) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que autorizou a imposição de pesadas tarifas de até 25% sobre suas exportações. A China, que também foi alvo das medidas, anunciou que irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

As exportações canadenses e mexicanas para os EUA serão taxadas a partir desta terça-feira em 25%, com a exceção dos recursos energéticos do Canadá aos quais será cobrada uma taxa menor, de 10%. Os itens chineses, que já enfrentam diversas taxações, terão tarifa adicional de 10%.

Os decretos de Trump também suspenderam isenções que permitiam que importações de baixo valor dos três países entrassem nos EUA sem impostos. A decisão americana ameaça causar uma convulsão nas cadeias globais de abastecimento, com potencial para desestabilizar setores como os de energia, automobilístico e de alimentos.

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Trump acusou o Canadá e o México de deixarem drogas ilícitas e imigrantes ilegais cruzarem suas fronteiras enquanto lucram injustamente com o comércio com os EUA. O presidente invocou a chamada Lei de Emergência Econômica Internacional para impor as tarifas, no intuito de responsabilizar os os três países por supostamente não cumprirem "suas promessas de interromper a imigração ilegal e impedir que o venenoso fentanil e outras drogas fluam para o nosso país", segundo uma nota divulgada pela Casa Branca.

Os decretos contêm uma ameaça aos três países para que não reajam com medidas retaliatórias, sob pena de os EUA aumentarem o percentual de tarifas ou o escopo dos produtos afetados.

Contudo, os governos do Canadá e do México ignoraram a advertência e anunciaram em poucas horas suas próprias medidas contra os EUA. 

"Não pedimos isso, mas não recuaremos"

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, fez um discurso televisionado no sábado à noite anunciando medidas concretas, que incluem tarifas de 25% a serem aplicadas gradualmente sobre 155 bilhões de dólares canadenses (R$ 625 bilhões) em produtos americanos em retaliação ao anúncio da Casa Branca.

Trudeau endureceu o tom que vinha adotando nas últimas semanas e afirmou que Trump colocou em risco o acesso dos consumidores e indústrias dos EUA a minerais e recursos canadenses essenciais, incluindo petróleo, energia e madeira.

"Tarifas contra o Canadá colocarão seus empregos em risco, potencialmente fechando fábricas americanas de montagem de automóveis e outras instalações. Elas aumentarão os custos para vocês, incluindo comida nos supermercados e gasolina nos postos. Elas impedirão seu acesso a um abastecimento acessível de bens vitais e cruciais para a segurança dos EUA, como níquel, potássio, urânio, aço e alumínio", disse Trudeau, se dirigindo diretamente aos americanos.

As tarifas "violarão o acordo de livre comércio que o presidente [Trump] e eu, juntamente com nossos parceiros mexicanos, negociamos e assinamos alguns anos atrás", disse Trudeau, se referindo ao Acordo EUA-México-Canadá (USMCA) elaborado em grande parte a mando de Trump após ele rasgar o acordo comercial anterior para a América do Norte, o Nafta, em seu primeiro mandato como presidente dos EUA.

A partir de terça-feira, o Canadá cobrará tarifas de 25% sobre 30 bilhões de dólares canadenses em produtos americanos que entrarem no país. As tarifas serão então adicionadas a outros 125 bilhões em importações dos EUA dentro de três semanas.

Trudeau disse que as indústrias do Canadá, como a petrolíferas, poderiam ter um peso maior em termos de tarifas, mas assegurou nenhum setor deverá suportar um fardo maior do que aqueles atingidos pelas tarifas americanas.

O premiê pediu aos canadenses que "comprem menos produtos americanos [...] escolham produtos e serviços canadenses em vez dos americanos". Ele disse que os estados já estão anunciando medidas como a remoção de bebidas alcoólicas americanas de suas lojas. "Não pedimos isso, mas não recuaremos", disse Trudeau.

O Canadá quer "encorajar os americanos a recuar nessas tarifas e usaremos todo o conjunto de mecanismos à nossa disposição", disse o primeiro-ministro. Ele mencionou que as tarifas afetariam a cerveja, o vinho e o bourbon americanos, bem como frutas e sucos de frutas, incluindo o suco de laranja produzido no estado de Trump, a Flórida. As medidas canadenses também devem atingir produtos como roupas, equipamentos esportivos e eletrodomésticos.

Mais tarde, o Canadá também confirmou que vai entrar com uma reclamação na Organização Mundial do Comércio contra os EUA.

México reage "de cabeça erguida"

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ordenou que seu ministro da Economia implementasse medidas tarifárias e não tarifárias para defender os interesses do país.

"Quando negociamos com outras nações, quando falamos com outras nações, sempre o fazemos de cabeça erguida, nunca de cabeça baixa", disse Sheinbaum ao discursar em um evento minutos após o anúncio da Casa Branca.

O gabinete de Trump disse que as autoridades chinesas falharam em impedir que matérias-primas das drogas fossem enviadas ao México e usadas pelos cartéis. Segundo a Casa Branca, os traficantes de drogas mexicanos teriam uma "aliança intolerável com o governo do México".

Presidente do México, Claudia Sheinbaum, em pronunciamento
"Rejeitamos categoricamente a calúnia da Casa Branca", disse a líder mexicana, Claudia Sheinbaum, sobre as acusações de TrumpFoto: Luis Cortes/AFP/Getty Images

"Rejeitamos categoricamente a calúnia da Casa Branca sobre o governo do México ter alianças com organizações criminosas", reagiu Sheinbaum em nota divulgada nas redes sociais. Ela propôs estabelecer uma força de trabalho com o governo americano para lidar com os problemas que, segundo afirmou, "não são resolvidos com a imposição de tarifas".

Prenúncio de nova guerra comercial?

China anunciou a imposição de "contramedidas correspondentes" às tarifas americanas, sem, no entanto, especificar quais serão essas ações.

Pequim disse esperar que Washington "enxergue de forma objetiva e racional seus próprios problemas, como o fentanil", em vez de recorrer a "ameaças contra outros países" e à imposição de tarifas.

O Ministério do Comércio da China afirmou neste domingo que a imposição de sobretaxas pelos EUA seriam uma "grave violação" das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e instou Washington a "se envolver em um diálogo franco e fortalecer a cooperação".

Analistas avaliam que as novas tarifas provavelmente não terão um grande impacto na economia chinesa, mas podem significar o prenúncio de uma nova guerra comercial entre Washington e Pequim.

Segundo a Bloomberg Economics, a tarifa de 10% pode eliminar 40% das exportações de bens de Pequim para os EUA, afetando 0,9% do PIB chinês.

Isso seria uma pequena fração da vasta economia chinesa, mas pode colocar uma pressão extra sobre os formuladores das políticas que já lutam contra a desaceleração do crescimento, a crise no setor imobiliário e uma queda no consumo doméstico.

Trump, que já havia alertado contra possíveis retaliações chinesas, renovou a ameaça – a mesma que fez ao Canadá e ao México – contra qualquer tentativa de Pequim pagar na mesma moeda.

"Se a China retaliar os EUA [...] impondo medidas semelhantes às exportações norte-americanas, o presidente poderá aumentar [as tarifas] ou expandir seu escopo para garantir a eficácia dessa ação", afirmou o gabinete de Trump.

Trump volta a falar em anexar o Canadá

Neste domingo, Trump voltou a repetir que o Canadá deve se tornar um estado americano. Alegando que os Estados Unidos pagam "centenas de bilhões de dólares para subsidiar" o país vizinho, Trump afirmou que "sem esse subsídio maciço, o Canadá deixa de existir como um país viável".

"Portanto, o Canadá deve se tornar nosso 51º Estado", escreveu nas redes sociais, reiterando a ameaça expansionista contra um dos aliados mais próximos de seu país.

Em outra publicação, Trump afirmou que os consumidores finais podem sentir alguma "dor" econômica com as novas tarifas, mas que "valerá o preço"

"Haverá alguma dor? Sim, talvez (e talvez não!)", escreveu. "Mas faremos com que os Estados Unidos voltem a ser grandes, e tudo valerá o preço a ser pago."

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil
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