A França vive uma crise política e econômica que já exigiu ao presidente francês Emmanuel Macron nomear sete primeiros-ministros durante a sua gestão. O país enfrenta forte déficit fiscal e um descontrole da dívida pública que têm exigido medidas de austeridade e derrubado a popularidade de Macron.
O país chegou a propor até mesmo eliminar dois feriados nacionais para corrigir o problema, embora Lecornu já tenha anunciado que a medida será retirada.
Lecornu e Macron enfrentam pressão, de um lado, dos manifestantes e partidos de esquerda contrários aos cortes, e, de outro, de investidores preocupados com o déficit da segunda maior economia da zona do euro. Nenhum dos três principais blocos parlamentares tem maioria.

Sindicatos convocam greve geral
A mobilização foi convocada por uma ampla aliança de sindicatos, que argumentam que as medidas podem ameaçar a subsistência de trabalhadores, aposentados e famílias de baixa renda.
Manifestantes também pedem o cancelamento dos planos fiscais do governo anterior, mais investimentos em serviços públicos, aumento de impostos para os mais ricos e a reversão da reforma da Previdência, que aumentou o tempo de contribuição para se aposentar.
Muitos aderiram a greves em todo o país, afetando o funcionamento de farmácias, escolas e o transporte público. Diversos bloqueios de ruas foram montados pela manhã em garagens de ônibus, centros de tráfego e escolas, enquanto dezenas de manifestantes chegaram a invadir brevemente o pátio do Ministério da Economia.
Na capital, a polícia lançou gás lacrimogêneo em várias ocasiões para dispersar manifestantes que arremessavam latas e pedras. Os agentes também intervieram para impedir tentativas de vandalizar sedes de bancos.
Cerca de 80 mil policiais foram mobilizados, incluindo unidades de choque, drones e veículos blindados. Até o momento, mais de 180 pessoas foram detidas, 30 delas em Paris.
"A raiva é imensa, e a determinação também. Minha mensagem para o sr. Lecornu hoje é esta: quem deve decidir o orçamento são as ruas", disse Sophie Binet, líder do sindicato CGT.


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